Nos últimos dias, Lula elevou o tom contra Trump ao criticá-lo pela guerra no Irã e ironizar o desejo dele de ganhar o Nobel da Paz.
Na terça-feira, Lula ainda disse que o Brasil poderia adotar reciprocidade após a expulsão de um delegado da Polícia Federal dos EUA, ameaça que foi cumprida ontem, com a PF retirando a credencial de um servidor americano.
Embora as críticas sejam voltadas ao POTUS, o alvo real pode estar mais perto de casa. No entorno do Planalto, cresce a leitura de que confrontar Trump ajuda eleitoralmente o presidente.
O motivo vem do ano passado. Quando Trump sobretaxou produtos brasileiros, Lula reagiu com discurso de soberania nacional e viu sua popularidade aumentar. Na prática, bater de frente com Washington funcionou como combustível político.

Agora, a estratégia pode mirar Flávio Bolsonaro, hoje tratado como principal nome da oposição.
A ideia seria colar nele a imagem de um candidato alinhado aos interesses americanos e subordinado a Trump. Ainda mais considerando que a aprovação do presidente dos EUA está em 36%, o menor nível do seu mandato.
Lula acredita que uma eventual intervenção de Trump no pleito brasileiro seria um “presente” de campanha, associando a oposição ao recente fracasso de Viktor Orbán na Hungria, que perdeu o poder mesmo após o apoio público do republicano.
Ao que tudo indica, o petista deve adotar um discurso de defensor do Brasil diante de pressões externas para ir em busca de sua reeleição.