Operação da Polícia Civil investiga fraude milionária em projetos de pesquisa e cumpre mandados em Tubarão e outras cidades

A Polícia Civil de Santa Catarina realizou na manhã desta terça-feira (10) uma grande ação para apurar suspeitas de irregularidades em editais voltados ao financiamento de pesquisas científicas e tecnológicas. A operação, denominada “PHD”, foi conduzida pela Delegacia de Combate à Corrupção (DECOR), vinculada à Diretoria Estadual de Investigações Criminais (DEIC).

A investigação resultou no cumprimento de 14 mandados de busca e apreensão em diferentes cidades de Santa Catarina, entre elas Florianópolis, São José, Tubarão e São Pedro de Alcântara, além de municípios do Rio Grande do Sul, como Passo Fundo, Taquari e Santa Maria.

Suspeita de esquema em editais de pesquisa

De acordo com as investigações, o grupo suspeito teria atuado ao longo de 2024, manipulando processos de seleção ligados a programas de incentivo à pesquisa. O objetivo seria direcionar a escolha de bolsistas em determinados editais públicos.

Entre os investigados estão pesquisadores, representantes de empresas e um servidor ligado a uma fundação de apoio à pesquisa, que teria participado diretamente do comitê responsável pela análise dos projetos.

Segundo a apuração policial, esse servidor teria utilizado sua posição para favorecer familiares e pessoas próximas, garantindo vantagens na seleção de beneficiários. Após o surgimento das denúncias, ele acabou sendo exonerado do cargo.

Desvios podem chegar a R$ 20 milhões

As investigações apontam indícios de que o esquema pode ter provocado desvios financeiros estimados em cerca de R$ 20 milhões em recursos destinados a projetos científicos.

Outro ponto que chamou atenção dos investigadores foi o uso de declarações falsas de residência para permitir a participação de candidatos que não atendiam aos critérios exigidos nos editais. Em alguns casos, os selecionados estariam vivendo em outros estados ou até fora do país, o que contrariaria as regras dos programas de incentivo.

Material apreendido será analisado

Durante o cumprimento dos mandados, policiais civis recolheram documentos, computadores, celulares e outros dispositivos eletrônicos, que agora passarão por análise detalhada.

A intenção é reunir provas que confirmem a participação dos envolvidos e a possível prática de crimes como corrupção, estelionato contra a administração pública, falsidade ideológica e associação criminosa.

A operação contou com apoio de outras unidades especializadas da DEIC, além da colaboração de equipes da Polícia Civil do Rio Grande do Sul, já que parte dos investigados estaria naquele estado.

As investigações seguem em andamento e novas fases da operação não estão descartadas.

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