Duas professoras da rede estadual de ensino de Santa Catarina foram flagradas fumando um cigarro supostamente de maconha dentro da Escola de Educação Básica Professora Julieta Lentz Puerta, no Distrito de Nova Petrópolis, zona rural de Joaçaba, no Meio-Oeste catarinense. O caso veio à tona nesta terça-feira (18) após a circulação de um vídeo gravado pelas próprias docentes nos fundos da unidade escolar e publicado na lista restrita de “melhores amigos” do Instagram de uma delas.
A Coordenadoria Regional de Educação de Joaçaba confirmou a abertura de processo administrativo contra as profissionais. A coordenadora regional, Beatriz Zagonel, informou que determinou o afastamento imediato das duas professoras assim que tomou conhecimento do caso. Segundo Zagonel, a portaria de afastamento deve ser publicada ainda nesta terça-feira para que as envolvidas respondam juridicamente.
Vídeo nos “melhores amigos”
Nas imagens que viralizaram, as duas professoras aparecem nos fundos da escola, em meio à vegetação. Uma delas filma a cena e pede que a colega “dá oi pros meus bests”, em referência aos seguidores da lista de melhores amigos do Instagram. A outra docente, visivelmente à vontade, se refere à substância como uma “flor peruana”. A gravação foi feita durante o que seria o horário de expediente das profissionais.
O vídeo foi publicado nos stories restritos a “melhores amigos”, mas um dos participantes da lista gravou a tela e espalhou o conteúdo nas redes sociais.
Na sequência dos stories, a mesma professora publicou outro registro de dentro da escola, mostrando um ambiente vazio com mesas e materiais escolares. Na legenda, escreveu: “A diretora sai e os profs fazem a festa”. Na tela do computador visível no vídeo, era possível identificar o portal acadêmico da Unoesc, Campus de Joaçaba, vinculado ao curso de Pedagogia.
Publicações de esquerda nas redes sociais
O perfil da mesma professora nas redes sociais reúne uma série de publicações de viés político de esquerda. Entre os conteúdos compartilhados, há postagens com frases como “Não há natal enquanto há genocídio. Por uma Palestina livre”, “Trabalhar menos, trabalhar todos, produzir o necessário, redistribuir tudo”, imagens pedindo a cassação do deputado federal Nikolas Ferreira, publicações do Intercept Brasil com a frase “A democracia não deve ser negociada”, citações do escritor Eduardo Galeano e fotos de pichações anticapitalistas.
Em outra publicação, a docente compartilhou um carrossel com frases como “A polícia só existe pra manter você na lei” e “Ou aceita ser um saco de pancada ou vai pro saco”.
Escola recebeu R$ 4,7 milhões em reforma
A escola é vinculada à rede estadual e atende 191 alunos dos anos iniciais e finais do ensino fundamental. Em julho de 2025, a unidade recebeu a entrega de uma quadra poliesportiva coberta e passou por reforma estrutural completa, com investimento superior a R$ 4,7 milhões do Governo do Estado de Santa Catarina. Na ocasião, a diretora Beatriz Terezinha Savaris Mores agradeceu publicamente ao governador Jorginho Mello pela conquista.
Revolta de pais e nota da Prefeitura
O vídeo do flagra gerou revolta entre pais de alunos que se manifestaram nas redes sociais. Uma mãe criticou a situação e questionou o tipo de profissional responsável pelas crianças na escola.
A Prefeitura de Joaçaba divulgou nota oficial esclarecendo que as professoras envolvidas são servidoras da rede estadual de ensino e não integram o quadro municipal. Segundo a nota, a escola possui uma turma de pré-escola vinculada ao município por meio de convênio com o Estado, mas a situação não envolve profissionais, alunos ou pais da rede municipal.
Conforme a Coordenadoria Regional de Educação, as duas professoras são contratadas em caráter temporário (ACTs). Dependendo do resultado do processo administrativo, elas podem ficar impedidas de assumir aulas na rede estadual pelo período de até três anos. O caso segue em apuração.