Mulheres que sofreram violência passarão a contar com um novo tipo de atendimento pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O Ministério da Saúde anunciou a criação de um programa que garantirá reconstrução dentária gratuita, incluindo tratamento odontológico completo para vítimas de agressões.
A medida integra o conjunto de ações do governo federal voltadas ao enfrentamento da violência contra a mulher e do feminicídio no Brasil.
Atendimento odontológico completo pelo SUS
O novo serviço permitirá que mulheres vítimas de violência tenham acesso a diversos procedimentos odontológicos essenciais para recuperar a saúde e a autoestima. Entre os atendimentos que poderão ser realizados estão:
- Próteses dentárias
- Implantes
- Restaurações
- Reconstruções dentárias
- Tratamentos odontológicos completos
O objetivo é oferecer suporte integral às vítimas que sofreram danos físicos decorrentes de agressões.
Ampliação da estrutura de atendimento
Para viabilizar o programa em todo o país, o Ministério da Saúde informou que haverá investimento em tecnologia e estrutura. O plano prevê a utilização de 500 impressoras 3D e scanners odontológicos, que auxiliarão na produção de próteses e outros procedimentos.
Esses equipamentos serão utilizados em unidades odontológicas móveis, que devem ampliar o acesso ao atendimento em diferentes regiões do Brasil.
Somente em 2025, cerca de 400 novos veículos odontológicos já foram distribuídos. A previsão é que mais 800 unidades entrem em operação até o final do ano, fortalecendo a rede de atendimento.
Feminicídio pode entrar na classificação internacional de doenças
Outra iniciativa anunciada pelo Ministério da Saúde foi o pedido encaminhado à Organização Mundial da Saúde (OMS) para que o feminicídio seja incluído na Classificação Internacional de Doenças (CID-11).
A proposta busca dar maior visibilidade aos casos de mortes de mulheres motivadas por desigualdade de gênero, que atualmente são registradas de forma mais genérica como agressão.
Engajamento da sociedade no combate à violência
Durante o anúncio, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, destacou a importância do envolvimento de toda a sociedade no combate à violência contra as mulheres.
Segundo ele, a participação masculina também é fundamental nesse processo.
“Se os homens não se engajarem no enfrentamento à violência contra as mulheres, a gente não vai ganhar essa batalha. As mulheres já lutam por isso há décadas. Está na hora dos homens entrarem com mais força nessa luta”, afirmou o ministro.
A iniciativa reforça o papel do sistema de saúde não apenas no tratamento das vítimas, mas também no apoio à recuperação física e emocional das mulheres que sofreram violência.