A relação entre Vorcaro e um dos seus “grandes amigos”.

Em conversas publicadas há algum tempo, Vorcaro contava para a namorada que Ciro Nogueira era um dos “grandes amigos da vida”. A Polícia Federal resolveu olhar essa amizade um pouco mais de perto…

Contexto: Ciro Nogueira é senador pelo Piauí, presidente do Partido Progressistas e um dos principais nomes do Centrão em Brasília. Entre 2021 e 2022, ele foi ministro da Casa Civil do governo Jair Bolsonaro.

Em um documento enviado para o STF que teve seu sigilo quebrado ontem pelo ministro André Mendonça, a Polícia Federal afirmou que Daniel Vorcaro dava “tratamento privilegiado” e “diferenciado” ao senador Ciro Nogueira.

Isso significa que a PF acredita que, enquanto Ciro buscava beneficiar o ex-banqueiro com sua atividade parlamentar — como a “Emenda Master”, que tentava aumentar o limite da cobertura do FGC —, Vorcaro retribuía financeiramente.

Segundo a investigação, entre as vantagens recebidas por Ciro estavam:

Valores mensais que, em alguns casos, chegavam a R$ 500 mil

Participação societária em empresas.

Viagens internacionais com hotéis e restaurantes de luxo, em cidades como Paris, Nova Iorque, Lisboa e Courchevel.

Apesar da PF ainda estar estimando esses gastos com viagens, o órgão afirma que a quantia ultrapassa R$ 500 mil em um cálculo “extremamente conservador”. As investigações também apontam que ele bancou uma viagem de Hugo Motta à Lisboa.

Enquanto isso, no Supremo…

Durante o voto para manter a prisão do primo e do pai de Daniel Vorcaro, o ministro André Mendonça afirmou que “tem mais coisa por vir”, reforçando que liberou o sigilo do iCloud de Sicário — capanga do banqueiro que morreu na prisão.

Inclusive, ontem, veio a público uma mensagem interceptada da irmã de Sicário ameaçando revelar arquivos capazes de “acabar com a família” Vorcaro. Isso aumentou a expectativa sobre a relevância das informações contidas nesses documentos.

No fim das contas, a 2ª Turma do STF manteve as prisões de pai e primo de Vorcaro, com votos favoráveis de Mendonça, Fux e Nunes Marques. Gilmar Mendes foi o único que votou pela concessão da domiciliar.

PS: Na mesma sessão, Mendonça afirmou que viu as gravações da cena da morte de Sicário na prisão. Ele disse que suspeitava de ter sido queima de arquivo, mas alegou que todos os indicativos da PF apontam que foi mesmo suicídio.

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