A partir desta terça-feira, o Brasil passa a aplicar uma alíquota de 35% de imposto de importação sobre carros elétricos e híbridos que chegam ao país já montados. A medida representa mais um passo da política do governo para incentivar a produção nacional de veículos eletrificados e fortalecer a indústria automotiva brasileira.
Enquanto os veículos completos passam a pagar uma tributação maior, as peças destinadas à montagem de automóveis em fábricas instaladas no Brasil continuam isentas de imposto, estimulando investimentos e a geração de empregos no país.
Mercado chinês ganha espaço no Brasil
Nos últimos anos, as montadoras chinesas ampliaram significativamente sua presença no mercado brasileiro. Atualmente, cerca de 20% dos veículos zero-quilômetro vendidos no país são de marcas chinesas, um crescimento expressivo em relação aos cerca de 3% registrados em 2023.
Entre os 50 modelos mais vendidos no varejo em 2026, 15 são elétricos ou híbridos, sendo 12 deles fabricados por marcas chinesas, com destaque para a liderança da BYD.
O preço dos elétricos vai subir?
Apesar do aumento da tributação, especialistas avaliam que o impacto imediato para o consumidor pode ser menor do que o esperado.
Um exemplo é o Dolphin de entrada, da BYD. Lançado no Brasil em 2023 por cerca de R$ 150 mil, quando o imposto era zerado, o modelo continua sendo comercializado na mesma faixa de preço, mesmo após a alíquota ter chegado a 25%. Na prática, considerando a inflação acumulada no período, o veículo ficou relativamente mais barato.
Isso ocorreu porque diversas montadoras absorveram parte do custo tributário para manter a competitividade diante das fabricantes tradicionais já consolidadas no mercado brasileiro.
Produção nacional pode reduzir impactos
Outro fator que pode minimizar os efeitos do aumento do imposto é a instalação de fábricas no Brasil.
A BYD confirmou investimentos na Bahia, enquanto a GWM está implantando sua unidade no interior de São Paulo. Com a produção nacional, a tendência é reduzir a dependência da importação de veículos completos, trazendo apenas componentes para montagem no país.
Indústria tradicional critica decisão
A mudança também gerou críticas de representantes da indústria automotiva nacional. Entidades como a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores e a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo afirmam que a política adotada anteriormente favoreceu a entrada de montadoras chinesas no mercado brasileiro, enquanto fabricantes tradicionais investiram bilhões de reais em fábricas completas e geração de empregos no país.
Agora, com a alíquota de 35%, o governo busca equilibrar a concorrência e incentivar que as empresas ampliem seus investimentos em produção nacional, fortalecendo o setor automotivo brasileiro.