Ações do Banco do Brasil sobem 13% após 1º turno e mercado volta a olhar para o risco do agronegócio.

BBAS3 liderou a alta entre as estatais após o resultado eleitoral, enquanto investidores continuam atentos à inadimplência da carteira rural

As ações do Banco do Brasil (BBAS3) dispararam no primeiro pregão após o primeiro turno das eleições presidenciais de 2026. Na segunda-feira (5), os papéis chegaram a registrar alta próxima de 13%, acompanhando a forte valorização da Bolsa brasileira após o resultado da votação. No fechamento, a alta do BB foi de 12,69%. UOL Economia

O movimento ocorreu em um dia de forte reação dos mercados ao resultado eleitoral, que colocou Flávio Bolsonaro (PL) à frente de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no primeiro turno. Flávio terminou a votação com 47,03% dos votos válidos, enquanto Lula teve 45,16%. O segundo turno está marcado para 25 de outubro. InfoMoney

A valorização das ações do Banco do Brasil fez parte de um movimento mais amplo. O Ibovespa avançou 7,70% na segunda-feira e ultrapassou pela primeira vez a marca de 200 mil pontos. Entre as estatais, além do Banco do Brasil, Petrobras também registrou forte valorização. UOL Economia

Mercado reage ao cenário eleitoral

A leitura de analistas é que o resultado do primeiro turno alterou as expectativas dos investidores em relação ao cenário econômico para os próximos meses. A possibilidade de mudanças na condução da política fiscal e de redução dos juros futuros esteve entre os fatores associados à valorização dos ativos brasileiros.

É importante, porém, separar a reação imediata do mercado de uma avaliação definitiva sobre o desempenho futuro das empresas. A eleição ainda terá segundo turno e o cenário econômico continuará sujeito a mudanças.

Agro continua sendo um desafio para o Banco do Brasil

Apesar da forte alta das ações, o Banco do Brasil ainda enfrenta um problema importante em sua carteira de crédito: o aumento da inadimplência no agronegócio.

No segundo trimestre de 2026, a inadimplência acima de 90 dias na carteira de crédito rural chegou a 6,27%, o maior percentual desde 2014. As dívidas vencidas no segmento somavam aproximadamente R$ 26,4 bilhões. UOL Economia

A deterioração do crédito rural também pressionou os resultados do banco. No primeiro trimestre de 2026, o lucro líquido ajustado foi de R$ 3,4 bilhões, queda de 54% em relação ao mesmo período de 2025. As provisões para perdas chegaram a R$ 16,8 bilhões, alta de 46% em 12 meses. Agência Brasil

Diante desse cenário, o Banco do Brasil reduziu sua projeção de lucro líquido ajustado para 2026. A estimativa passou de uma faixa entre R$ 22 bilhões e R$ 26 bilhões para R$ 18 bilhões a R$ 22 bilhões. Ao mesmo tempo, a previsão para o custo do crédito subiu para entre R$ 65 bilhões e R$ 70 bilhões. InfoMoney

Recuperação das ações não elimina os riscos

O Banco do Brasil encerrou 2025 com lucro líquido ajustado de R$ 20,685 bilhões, queda de 45,4% em relação ao ano anterior. A própria administração apontou o aumento da inadimplência do agronegócio como um dos principais desafios enfrentados pela instituição. Agência Brasil

Assim, a forte valorização de BBAS3 após o primeiro turno representa uma mudança na percepção dos investidores, mas não significa que os problemas de crédito tenham sido solucionados.

O desempenho da carteira rural, a evolução das provisões, os resultados trimestrais e o cenário econômico continuarão entre os principais pontos observados pelo mercado nos próximos meses.

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