Mais que amigos, políticos: Lula e Alcolumbre retomam diálogo em Brasília

Após meses de tensão, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), voltaram a intensificar o diálogo político. O encontro entre os dois, realizado em 12 de agosto, durou cerca de duas horas e teve como objetivo destravar pautas de interesse do governo no Congresso.

Reaproximação após a derrota de Jorge Messias

A relação entre Lula e Alcolumbre havia se desgastado após o Senado rejeitar a indicação de Jorge Messias para uma vaga no Supremo Tribunal Federal. A votação terminou com 42 votos contrários e 34 favoráveis ao indicado pelo presidente.

Agora, segundo relatos divulgados pela imprensa, Alcolumbre avalia que houve uma retomada significativa do diálogo com o Palácio do Planalto. A reaproximação, porém, não significa que todas as divergências estejam resolvidas.

Pautas do governo avançam

Um dos resultados concretos da aproximação foi o avanço do PLP 114/2026, que prevê mecanismos para reduzir ou eliminar tributos federais sobre combustíveis em situações de alta internacional dos preços. O projeto foi aprovado pelo Senado e segue para sanção presidencial.

Também avançaram entendimentos para a instalação de comissões responsáveis por analisar medidas provisórias, entre elas a que trata da chamada “taxa das blusinhas”.

Por outro lado, temas considerados prioritários pelo governo, como o fim da escala 6×1 e a PEC da Segurança Pública, ainda não têm data definida para votação.

Política de olho em 2026

A reaproximação ocorre em um momento de forte movimentação política em Brasília. O governo busca construir uma relação mais estável com o Congresso antes das eleições, enquanto Alcolumbre também possui interesses políticos próprios, incluindo a sucessão na Presidência do Senado em 2027.

Nos bastidores, encontros envolvendo integrantes do governo, do Congresso e do Supremo também contribuíram para aproximar os principais personagens dessa articulação. Um jantar na residência do ministro Alexandre de Moraes, por exemplo, reuniu Lula e Alcolumbre recentemente.

Em Brasília, a velha máxima continua valendo: na política, adversários de ontem podem voltar a conversar quando os interesses se encontram.

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