Ausência de casos entre parentes não elimina o risco. Hábitos de vida, envelhecimento e fatores ambientais também podem influenciar o desenvolvimento de diferentes tipos de tumores.
“Na minha família ninguém teve câncer. Então, eu também não preciso me preocupar?” A associação entre histórico familiar e câncer é comum, mas a ausência de casos entre parentes não significa que uma pessoa esteja protegida contra a doença.
O câncer não tem uma causa única e pode surgir a partir da combinação de diferentes fatores, incluindo características do próprio organismo, envelhecimento, hábitos de vida e exposições acumuladas ao longo dos anos.
Segundo a oncologista Erika Simplicio, o histórico familiar é uma informação importante na avaliação médica, principalmente quando existem vários casos na família ou quando a doença aparece em pessoas mais jovens. Porém, a maioria dos cânceres não ocorre exclusivamente por alterações genéticas herdadas dos pais.
O câncer pode aparecer mesmo sem histórico familiar?
Sim. O desenvolvimento do câncer é um processo complexo e pode envolver alterações que acontecem nas células ao longo da vida.
Entre os fatores que podem aumentar o risco estão:
- Tabagismo;
- Consumo de bebidas alcoólicas;
- Excesso de peso;
- Falta de atividade física;
- Alimentação inadequada;
- Exposição excessiva ao sol;
- Contato com determinados agentes presentes no ambiente e no trabalho;
- Envelhecimento.
Por isso, duas pessoas com históricos familiares completamente diferentes podem desenvolver a mesma doença. O risco de câncer não deve ser avaliado apenas pela existência ou não de casos na família.
A idade também é um fator relevante, já que o risco de alguns tipos de câncer aumenta conforme o envelhecimento.
Ter casos na família significa que vou ter câncer?
Não. Ter um familiar diagnosticado com câncer não significa que outros membros da família necessariamente desenvolverão a doença.
Em determinadas situações, entretanto, a presença de vários casos na família, principalmente quando os diagnósticos ocorrem em idades mais jovens, pode indicar uma possibilidade maior de predisposição hereditária e justificar uma avaliação médica mais detalhada.
De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (INCA), aproximadamente 5% a 10% dos casos de câncer estão relacionados a alterações genéticas hereditárias que aumentam a predisposição para determinados tumores.
Por isso, é importante evitar dois extremos: acreditar que quem possui histórico familiar necessariamente terá câncer ou pensar que quem não possui casos na família está protegido contra a doença.
A avaliação deve considerar o tipo de câncer, a idade em que os familiares receberam o diagnóstico e outros fatores individuais.
Hábitos podem ajudar a reduzir o risco
Embora não seja possível evitar todos os casos de câncer, algumas atitudes podem contribuir para diminuir os fatores de risco.
Entre os principais cuidados estão:
- Não fumar;
- Evitar o consumo de bebidas alcoólicas;
- Manter uma alimentação equilibrada;
- Praticar atividade física regularmente;
- Cuidar do peso corporal;
- Evitar exposição excessiva ao sol;
- Manter as vacinas recomendadas em dia.
A vacinação também possui papel importante na prevenção de alguns tipos de câncer. A vacina contra o HPV, por exemplo, ajuda a prevenir infecções que podem estar relacionadas ao desenvolvimento de determinados tumores. Já a vacinação contra a hepatite B contribui para prevenir casos de câncer de fígado associados ao vírus.
Prevenção não significa estar 100% protegido contra a doença. O objetivo é reduzir fatores que podem aumentar o risco e manter cuidados ao longo da vida.
Mudanças persistentes devem ser investigadas
Além de manter hábitos saudáveis, é importante conhecer o próprio corpo e ficar atento a alterações persistentes.
Alguns sinais que merecem avaliação profissional incluem:
- Perda de peso sem explicação;
- Sangramentos sem causa conhecida;
- Alterações persistentes no funcionamento do intestino ou da bexiga;
- Surgimento ou mudança nas características de uma pinta;
- Sintomas persistentes ou diferentes do padrão habitual.
Isso não significa que esses sinais sejam necessariamente câncer. Diversas outras condições podem provocar sintomas semelhantes.
A avaliação médica é importante para identificar a causa e verificar se há necessidade de exames complementares.
Um sintoma isolado, por si só, raramente significa que uma pessoa tenha câncer. O que merece atenção é uma alteração persistente, sem explicação ou diferente do habitual.
Sem histórico familiar, é preciso fazer acompanhamento?
Sim. O acompanhamento médico e os exames preventivos não devem ser definidos apenas pela existência de casos de câncer na família.
A idade, o sexo, os fatores de risco e as características individuais devem ser considerados para determinar quais cuidados e exames são indicados.
Não ter histórico familiar é uma informação relevante, mas não deve ser motivo para deixar de lado os cuidados com a saúde. Manter o acompanhamento adequado, adotar hábitos que reduzam fatores de risco e procurar atendimento diante de mudanças persistentes são medidas importantes.
Informação importante
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui avaliação, diagnóstico ou orientação de um profissional de saúde.