Alterações hormonais da perimenopausa e da menopausa podem prejudicar o sono e influenciar a fome, a saciedade e o metabolismo; acompanhamento médico é fundamental.
Dormir mal, sentir mais fome no dia seguinte e perceber o aumento do peso mesmo sem grandes mudanças na rotina são situações relatadas por muitas mulheres após os 40 anos. A relação entre sono, alterações hormonais e ganho de peso merece atenção, especialmente durante a perimenopausa e a menopausa.
Segundo especialistas, a redução dos níveis de estrogênio nessa fase pode contribuir para noites de sono mais fragmentadas, ondas de calor e mudanças na composição corporal. Além disso, dormir pouco ou ter um sono de baixa qualidade pode afetar os mecanismos relacionados à fome, à saciedade e ao estresse.
A médica Aline Scarlatelli, com atuação em Medicina do Sono e Neurologia, a nutricionista Talita Collaço e a médica Carine Psendziuk, especialista em Clínica Médica com pós-graduação em Endocrinologia, destacam a importância de compreender essas mudanças e adotar estratégias individualizadas para preservar a saúde.
Depois dos 40, o corpo passa por mudanças
O ganho de peso nessa fase nem sempre está relacionado apenas ao envelhecimento. As alterações hormonais, a redução da massa muscular, as mudanças na rotina e a qualidade do sono podem contribuir para o aumento da gordura corporal, especialmente na região abdominal.
Para a médica Carine Psendziuk, é importante rever hábitos e estratégias de cuidado com a saúde. Práticas que funcionavam anteriormente podem precisar de ajustes diante das novas necessidades do organismo.
Na alimentação, a nutricionista Talita Collaço recomenda atenção ao consumo adequado de proteínas ao longo do dia, associado a uma alimentação equilibrada e à prática de atividade física. Essas medidas ajudam a preservar a massa muscular e favorecem a saciedade.
Como o sono influencia a fome e a saciedade
O sono desempenha um papel importante na regulação de diferentes funções do organismo. Quando o descanso é insuficiente ou interrompido frequentemente, podem ocorrer alterações nos sinais relacionados à fome, à saciedade e ao estresse.
Com isso, algumas pessoas passam a sentir mais vontade de consumir doces e alimentos ricos em carboidratos simples, principalmente quando estão cansadas.
O ciclo pode se repetir: a pessoa dorme mal, sente mais fome durante o dia, recorre a alimentos açucarados ou à cafeína para enfrentar o cansaço e acaba prejudicando novamente o descanso noturno.
Entre as condições que podem comprometer o sono durante a menopausa estão os fogachos, a síndrome das pernas inquietas e a apneia obstrutiva do sono.
Acordar durante a madrugada não deve ser ignorado
As ondas de calor são sintomas comuns da transição para a menopausa e podem provocar despertares frequentes. As alterações hormonais influenciam os mecanismos cerebrais responsáveis pela regulação da temperatura corporal, contribuindo para episódios de calor e transpiração noturna.
Quando o sono é interrompido repetidamente, a recuperação física e mental pode ficar comprometida.
Por isso, dificuldades persistentes para dormir não devem ser consideradas uma consequência inevitável da idade. A avaliação médica ajuda a identificar as possíveis causas e as opções de tratamento adequadas para cada mulher.
Álcool, medicamentos para emagrecer e suplementos exigem atenção
O consumo de bebidas alcoólicas antes de dormir pode até facilitar o adormecimento inicial, mas tende a prejudicar a continuidade e a qualidade do sono.
Outro ponto de atenção são os medicamentos utilizados no tratamento da obesidade, incluindo as chamadas canetas emagrecedoras. Embora possam ser indicados para pacientes que atendem aos critérios clínicos, esses medicamentos exigem avaliação e acompanhamento profissional. A perda excessiva de peso também pode envolver redução da massa muscular quando não há cuidados adequados com a alimentação e a atividade física.
O mesmo cuidado vale para suplementos como melatonina e magnésio. A indicação depende das necessidades individuais, e esses produtos não devem ser tratados como soluções universais para a insônia.
A suplementação de vitaminas também requer orientação. O excesso de vitamina D, por exemplo, pode provocar intoxicação e complicações de saúde.
Ganho de peso pode ter outras causas
Nem toda mudança no peso está relacionada à menopausa ou à qualidade do sono. O hipotireoidismo é uma das condições que podem contribuir para o ganho de peso e também causar sintomas como pele seca e queda de cabelo.
Diante de alterações persistentes, a investigação médica é importante para avaliar possíveis causas hormonais, metabólicas e relacionadas ao sono.
Cuidado integrado faz diferença
A combinação de sono adequado, alimentação equilibrada, atividade física e acompanhamento profissional pode contribuir para a saúde e o bem-estar durante a perimenopausa e a menopausa.
A principal orientação é não normalizar sintomas persistentes nem recorrer à automedicação. Identificar a causa das mudanças permite definir estratégias mais seguras e adequadas para cada pessoa.