Futebol e violência contra mulher: 81% dos brasileiros acreditam que casos aumentam em dias de jogos.

Pesquisa aponta que machismo ainda influencia a forma como mulheres são vistas no futebol

Uma pesquisa realizada pela Hibou Pesquisas e Insights, em parceria com a plataforma Red é de Sangue, revela que o machismo ainda está presente no ambiente do futebol brasileiro, mesmo diante do aumento da conscientização sobre igualdade de gênero.

O levantamento, realizado com 1.120 brasileiros maiores de 18 anos, mostra que 70% dos entrevistados acreditam que narradoras esportivas incomodam parte do público por causa do machismo. Além disso, 14% afirmam confiar mais em análises esportivas feitas por homens, percentual que sobe para 25% entre os entrevistados do sexo masculino.

Outro dado destacado pela pesquisa aponta que 90% dos brasileiros reconhecem que árbitras sofrem mais pressão e desrespeito do que árbitros homens durante partidas de futebol. Ao mesmo tempo, 85% consideram inaceitável que um jogador desrespeite uma árbitra utilizando o argumento de que “futebol é coisa de homem”.

Apesar desse reconhecimento, a pesquisa mostra que parte dos homens ainda minimiza essa realidade. Apenas 22% dos entrevistados do sexo masculino concordam totalmente que árbitras enfrentam pressão extra, e 30% afirmam não acreditar que mulheres entendam de futebol tanto quanto os homens.

Conhecimento feminino ainda é questionado

Segundo o levantamento, 79% dos brasileiros acreditam que o conhecimento das mulheres sobre futebol é mais questionado do que o dos homens. Além disso, 58% entendem que as mulheres ainda precisam provar que conhecem o esporte para serem levadas a sério como torcedoras.

Os dados evidenciam que, embora o preconceito seja amplamente rejeitado no discurso, ainda existem comportamentos e percepções que reforçam a desigualdade de gênero dentro e fora dos estádios.

Violência contra a mulher em dias de jogo preocupa

A pesquisa também abordou a relação entre futebol e violência contra a mulher. De acordo com o estudo, 81% dos entrevistados afirmaram não se surpreender ao saber que estudos apontam aumento dos casos de violência doméstica em dias de jogos, demonstrando que essa realidade já é conhecida por grande parte da população.

Para os idealizadores da plataforma Red é de Sangue, o resultado reforça a necessidade de ampliar ações de conscientização e combate à misoginia, especialmente em ambientes onde o machismo ainda se manifesta de forma naturalizada.

Sobre a pesquisa

O estudo foi realizado entre os dias 10 e 16 de junho de 2026, por meio de painel digital, com 1.120 entrevistados de todas as regiões do Brasil e diferentes classes sociais. A margem de erro é de 2,9 pontos percentuais.

A plataforma Red é de Sangue reúne conteúdos educativos, orientações para denúncia de violência e iniciativas voltadas ao enfrentamento da misoginia, contando com o apoio de diversas instituições ligadas à promoção da igualdade de gênero.

Compartilhe:

Você também pode gostar: