Dados da OMS indicam que 1,2 bilhão de mulheres estarão no climatério até 2030. Apoio do parceiro é apontado como fator decisivo para o sucesso do tratamento e preservação da harmonia conjugal.
A menopausa deixou de ser um “tabu feminino” para se tornar uma questão de saúde pública e equilíbrio familiar. No Brasil, dados do IBGE e da Sociedade Brasileira de Climatério (Sobrac) revelam que aproximadamente 29 milhões de mulheres estão no climatério – período de transição para a menopausa – o que representa cerca de 28% da população feminina do país. Entretanto, o que acontece dentro de casa ainda é o maior desafio: o silêncio e a falta de compreensão dos parceiros.
Segundo a Dra. Lisandra Radaelli, ginecologista atuante em Tubarão e docente da Unisul, a entrada nessa fase frequentemente coincide com o auge da carreira e responsabilidades familiares, gerando uma sobrecarga física e emocional. “Muitas vezes, o homem se sente impotente ou, por falta de informação, acredita que a irritabilidade ou a queda da libido da parceira seja ‘frescura’. Não é. O termostato interno dela quebrou e a química cerebral mudou drasticamente. O parceiro não deve tentar ‘consertar’ a mulher, mas sim ser sua rede de apoio ativa”, explica a Dra. Lisandra.
A Ciência por trás da parceria: dados que impressionam
A relevância do tema é global. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), até 2030, o mundo terá 1,2 bilhão de mulheres vivendo os sintomas da menopausa. No Brasil, o Censo aponta que a população feminina acima dos 45 anos é a que mais cresce, tornando o debate urgente.
Pesquisas recentes (Bayer/Ipsos) mostram que 44% das brasileiras com sintomas severos não realizam tratamento, muitas vezes por minimizarem o próprio sofrimento. No entanto, o fator “parceiro” tem um peso biológico: estudos comprovam que o apoio emocional do homem reduz os níveis de cortisol (hormônio do estresse) na mulher, o que favorece diretamente a resposta aos tratamentos de reposição hormonal e melhora a qualidade do sono e do humor.
O “Manual de Sobrevivência” para o homem
Para a especialista, o papel do homem deve ser pautado em três pilares práticos que transformam o ambiente doméstico:
- Validação sem julgamento: Jamais usar a frase “é a menopausa” de forma pejorativa. Isso gera isolamento.
- Paciência com a libido: Entender que a queda do desejo é fisiológica (baixa hormonal) e não falta de amor. O carinho sem a “pressão pelo sexo” é o que reconstrói a intimidade.
- Divisão da carga mental: O cansaço da menopausa é exaustivo. Assumir tarefas domésticas e a logística da casa é, tecnicamente, parte do tratamento dela.
“O objetivo é que essa fase seja apenas um capítulo, não o livro inteiro. Com a tecnologia médica que temos hoje em Tubarão e um ambiente de apoio em casa, a mulher pode continuar ativa, desejante e saudável”, finaliza a médica.
Sobre a Dra. Lisandra Radaelli
Ginecologista, a Dra. Lisandra Radaelli é Título de Especialista pela FEBRASGO e referência em saúde feminina e reprodução assistida na região da Amurel. Atua em Tubarão/SC, unindo ciência de ponta e humanização no atendimento clínico e docente.
Vídeo sobre Menopausa: https://www.instagram.com/reel/DV8kRomjXFE/